FALSAS PRIMAZIAS
FRANÇA- CLEMENT ADER
Depois de dispendiosos trabalhos subvencionados
pelo Ministério da Guerra Francês,
no ensaio definitivo; o “Avion” mostrou-se
incapaz de se elevar do solo. Foi, então,
retirado o apoio financeiro.
Após o vôo do 14 BIS, o governo foi
acusado de abandonar o inventor à beira do
êxito. O Governo foi obrigado a publicar o
relatório reservado da comissão militar
que acompanhara as experiências do “Avion”.
Foi o ponto final nas pretensões de Ader.
ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA-
IRMÃOS WRIGHT
O caso dos irmãos Wright tem sido mais
discutido, principalmente depois que, tardiamente
os norte-americanos, pela força de sua propaganda,
reivindicam para seus patrícios a glória
da invenção do aeroplano. “Tardiamente”,
pois durante longos anos, nos Estados Unidos, a
opinião autorizada nunca pôs em dúvida
a prioridade de Santos=Dumont e em mais de uma ocasião
concedeu as honras e distinção de
seu título “Pai da Aviação”.
Podem ser resumidos assim os fatos:
a) Os irmão Wilbur e Orville Wright iniciaram
experiências de vôo planado- sem motor;
b) Certa ocasião os Wright convidaram testemunhas
e repórteres para assistirem a seus ensaios
e não conseguiram elevar-se do solo;
c) Em 1904, os irmãos Wright requeriam, na
Inglaterra, patente para um “planador sem
motor”- fato estranho para quem alega ter
voado “com motor” um ano antes,
d) Em 1905 e 1906 ofereceram ao Ministério
da Guerra da França seu aparelho, mas sem
fornecer desenhos ou especificações;
e) Em correspondências a amigos(1905), comunicavam
que estavam interrompendo suas experiências
para salvaguardar o segredo;
f) Em 1908, finalmente realizaram na Europa uma
experiência com seu aparelho. Verificou-se
então que essa máquina era incapaz
de elevar-se do solo por seus próprios meios,
precisava ser lançada ao ar por uma torre
“o Pylon” e deslizava em um extenso
trilho sobre o qual corriam os patins da máquina
desprovida de rodas.
Pacientes e silenciosas, as pesquisas de Santos
Dumont dirigiam-se então no sentido de um
aparelho pequeno e leve, com um só plano
de sustentação. E eis que, em 1907,
Santos Dumont levanta vôo num monoplano minúsculo,
elegantíssimo, que, pela sua forma, delicadeza
e transparência, os parisienses logo batizaram
com o nome histórico de “Demoiselle”
( libélula). Foi um tremendo sucesso. Mas
o incansável inventor não pára
de trabalhar. Meses depois, surpreende o mundo aeronáutico
com um aparelho mais aperfeiçoado. Uma bela
manhã sem prevenir ninguém parte de
Saint-Cyr, num modelo de “Demoiselle”,
de nove metros quadrados de superfície e
cento e dezoito quilos de peso, e atinge o record
de noventa e cinco quilômetros por hora, descendo
em Buc. No dia seguinte, levanta vôo com apenas
setenta metros de corrida sobre o solo! Assim, a
“Demoiselle” impunha a sua superioridade
absoluta.
Depois disso, Santos Dumont, apaixonado pela sua
“Demoiselle”, com ela realiza quase
diariamente, vôos de passeio, visita amigos,
perto ou longe, deslocando-se por simples prazer
esportivo, de uma a outra cidade.