A aviação progrediu muito e quando
chegou a I Guerra Mundial, Santos=Dumont viu seu
invento ser usado para a destruição.
Isso o deprimiu profundamente, os desastres aéreos
também contribuíram para mergulhar
Santos=Dumont no remorso. Voltou ao Brasil, procurou
repouso em sua Casa Natal, o sítio de Cabangu.
Seduzido pelo aprazível do ambiente rural,
nas regiões mineiras, imaginou, por algum
tempo, consagrar-se às atividades agrícolas,
que haviam sido as de seu pai. Adquiriu mais terras
vizinhas, para ampliar a propriedade; e cuidou ativamente
de introduzir benefícios, construindo açude,
formando pastos, plantando pomar, melhorando as
condições de conforto da sede. Para
as necessidades do custeio, dedicou-se à
criação de gado, formando selecionado
plantel.
Costumava ele, quando em Cabangu, aos domingos,
hastear a bandeira nacional, num alto mastro colocado
em frente à sua morada. Fazia subir, logo
abaixo da bandeira, num comedor para pássaros,
cheio de migalhas e demorava-se contemplando o vôo
das pequenas aves ao redor da bandeira.
Além da casa onde nasceu, Santos=Dumont
teve mais duas residências no Brasil. Pensou
residir em Petrópolis, seduzido pela amenidade
do clima e serenidade da vida. Adquiriu um terreno
no morro do Encanto, e aí construiu casa,
de acordo com seus planos, a qual denominou “A
Encantada”. Na edificação desse
prédio, pôs em prática algumas
idéias originais suas. No terraço
da residência instalou um pequeno observatório
astronômico, onde passava boa parte de seus
serões. Mais tarde, mandou construir pequena
moradia em São Paulo: escolheu um terreno
no Butantã, de onde pela manhã partia
em longos passeios a cavalo.
Em 1932, aconteceu no Brasil a Revolução
Constitucionalista; Santos=Dumont estava repousando
em Guarujá e viu aviões do Governo
Federal voarem em direção a Santos
para bombardearem um cruzador, profundamente deprimido
morreu no dia 23 de julho de 1932.
Depois de embalsamado, o corpo do aeronauta foi
embarcado do Guarujá para São Paulo,
onde esteve para visitação pública
na Catedral.
Em 21 de dezembro de 1932, foi sepultado no Cemitério
de São João Batista no Rio de Janeiro,
em mausoléu que já guardava os corpos
de Dr. Henrique, seu pai, e D. Francisca, sua mãe.
Após a morte, a casa de seu nascimento,
foi guardada por um grupo de sandumonenses que para
segurança fizeram em 1949 a “Fundação
Casa de Cabangu”.
SERRA DA MANRIQUEIRA- “O
BERÇO DE UM SONHO”
Localizado no alto da Serra da Mantiqueira em
Minas Gerais, “Cabangu”, local que serviu
de berço para Alberto Santos=Dumont, hoje
conservado como museu, guarda a história
do Pai da Aviação.
RETORNO AO CABANGU
Depois de conhecer de perto a vitória com
suas conquistas na área da aviação
e longa permanência na Europa, Santos Dumont
regressa ao Brasil, e vai buscar no seu berço
“Cabangu” no município de Palmyra,
a tranqüilidade para o seu coração
atingido por tantas emoções.
Em 1919 santos Dumont, após tentativa de
compre, recebeu por decreto do governo, sua casa
natal como doação e passou a dedicar-se
à criação de gado como fazendeiro
da Mantiqueira.
São dessa época as reformas: construção
da lareira, do banheiro, o aterro ao redor da casa,
o lago com repuxo e fixou na varanda a placa com
dizeres:
“ESTA CASA ONDE NASCI,
ME FOI OFERECIDA PELO CONGRESSO NACIONAL COMO PRÊMIO
DOS MEUS TRABALHOS”.
SANTOS DUMONT (AGRADECIDO)
A partir daí, as atividades de fazendeiro,
se intercalavam às suas viagens de homem
público que era.
A administração da fazenda nesses
períodos era feita por meio de cartas ao
caseiro João e fazendeiros amigos ( são
desse tempo o rico acervo do museu em cartas, fotografias
e notas de compras).
Esse grande e valioso acervo guardado pelo João
na forma rude de um campeiro foi deixado no Cabangu
junto a valiosos bens de Santos Dumont.
PRESERVAÇÃO
A necessidade de tratamento de saúde levou
Santos Dumont a venda do gado e das terras de Cabangu.
A casa foi conservada por ordem categórica
em carta a um amigo: “...vendam tudo, menos
a casa, isto eu guardo...”
Anos mais tarde, ao registrar seu testamento mais
uma vez preservou a casa de seu nascimento ordenando:
“... A casa do Cabangu, eu quero que seja
devolvida à Nação, minha doadora...”
Dessa forma aparentemente ocasional a casa do
Cabangu, contendo jornais, revistas e valiosas fotos
de suas experiências na França, junto
a dois bustos e outros bens, ficou defendida.
A notícia da morte de Santos Dumont ocorrida
em Guarujá-SP, no dia 23 de julho de 1932,
comoveu o povo de Palmyra que se mobilizou para
guardar sua memória.
Todos os bens da casa do Cabangu assim como a
própria casa tornaram-se relíquias
para o idealizado museu.
O nome da cidade, em sua homenagem foi mudado
em 31 de julho de 1932; a cidade Palmyra passou
a chamar-se Santos Dumont.
Em 1949 a “Fundação Casa de
Cabangu”, foi criada para a proteção,
divulgação da vida e obra do Pai da
Aviação.
Instituída por Decreto nº 5057 em
18/07/56 do Estado de Minas Gerais cria o “Museu
Casa Natal de Santos Dumont”.
Em 1973 ligada a Santos Dumont pela rodovia BR
499, a Fazenda de Cabangu transforma-se num belo
recanto de atração turística
e monumento vivo a memória do grande brasileiro.