Fala do Presidente  
 
 
 
Trabalhar é falta grave?
 
     
 
Aconteceu neste início de mês, na cidade Belo Horizonte o 1º. Encontro dos Movimentos Sociais Mineiros. Aglutinaram-se, questões agrárias, sem terra, e movimentos dos atingidos por barragens. Pausa para reflexão.....

O movimento com vastos objetivos sociais, chamou mais a atenção, pelas badernas e atritos incivis, do que propriamente pelo objetivo dos ideais. Contestável e deprimente, seria defender o uso de força física, para se efetivar as realizações políticas, estas, sagradas e ancoradas legitimamente no artigo 5º. da Constituição Federal. Mas, daí desqualificar as metas do movimento, há uma grande distancia. Não houve políticas públicas nos últimos governos, capazes para conter o desemprego avassalador. Ao homem do campo, duas coisas restou: permanecer na terra sem nenhum incentivo ou vir para a cidade fabricar favelas. Ao meeiro, camponês, colono e peão só restou- lhes, as sobras, terras dos outros e sub-empregos, onde não há médicos, nem escolas compatíveis. Lá onde o Judas perdeu as botas.

O Brasil é centro do maior aqüífero de águas doces do mundo. Minas Gerais tem um dos melhores índices de precipitação pluviométrica do Brasil, e nossas taxas de serviços em águas e energia elétrica estão entre as mais caras do mundo. E se apesar de tudo isto, ninguém manifestar para defender os direitos, o mundo acabou!

Os serviços considerados essenciais pelo poder público estão a cada dia em mãos tão distantes, á do poder, que os preços fogem aos padrões aceitáveis de humanização. As agências criadas para fiscalizar e acompanhar estas políticas, com todo o aparato técnico, não estão vacinadas dos vícios e distorções comumente pulverizado no serviço público Brasileiro. Não fosse ainda, o Brasil, um celeiro de benesses para gerar imposto.

Na outra ponta, quem financia o desenvolvimento, não está livre das mãos dos banqueiros, dos agiotas, sanguessugas e maus empresários, tão comuns em tempos de globalização da economia. Tudo está terceirizado ou á terceirizar, enquanto o poder público se atrofia na corrupção e péssimo criador de regras.

Com participação mista, junto ao poder público fica difícil apurar o joio do trigo. Quando vamos conceituar que os lucros, destas semi- estatais, gigantescas economias com o dinheiro suado do trabalhador, vai ser reinvestido honestamente no patrimônio da sociedade, que clama por trabalho digno, moradia, comida e remédios.

Por fim, briga os movimentos na tentativa de preservar o pouco e minguado espaço que resta em seu torrão. Só monocultura, horta de fundo de quintal para colher uma quarta de fubá, alguns pés de aipim e folhas de caruru, se não desejar morrer de fome. Alagar pastagens sem critérios e pagamentos justos, para fazer fortunas, danifica o meio ambiente e traz incertezas pro caipira. Na expressão de cultura, respeitadas as condições dadas pelo governo, o que aconteceu na mídia deste movimento – 1º. Encontro dos Movimentos Sociais Mineiros, foi uma gota dágua no oceano. Trabalhar não é falta grave.

Cláudio Mendes

Presidente Câmara Municipal